Aquele abraço

Gazeta de Uberlândia

Uberlândia: Qui, 09 de Setembro de 2010
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Aquele abraço

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Antes de ser exilado do Brasil, Gilberto Gil compôs a música "Aquele Abraço". A canção ganhou o prêmio Golfinho de Ouro do MIS (Museu da Imagem e do Som), do Rio de Janeiro, em 1969, mas ele rejeitou a premiação. Gilberto Gil achava que os jurados do Conselho Superior de MPB (Música Popular Brasileira) tinham um pensamento muito regionalista e conservador e acabou não aceitando o prêmio. 
Ele estava morando em Londres e achava que a música "Aquele Abraço" não tinha mudado sua posição em relação à representação sócio-ética e cultural no processo de formação histórica na sociedade brasileira. Todo povo afro-brasileiro foi sempre colocado à margem da sociedade brasileira, principalmente nas questões de dificuldade a acesso a educação, saúde e mercado de trabalho, especialmente na década de 1960.
Ao escrever para o um jornal carioca, suas idéias rebatiam a estética social da elite burguesa ocidental da época. Vivendo em circunstâncias adversas, ele nos diz: "Aquele abraço não significa que eu tenha me "regenerado", que eu tenha me tornado 'bom crioulo puxador de samba', como eles querem que sejam todos os negros que realmente "sabem qual é o seu lugar. "Eu não sei qual é o meu, e não estou em lugar nenhum; não  estou servindo a mesa dos senhores  brancos e nem estou mais triste na senzala em que eles estão transformando o Brasil".
A escravidão negra no Brasil trouxe profundas marcas para a sociedade. O nosso país foi o último que acabou com a escravidão. É preciso entender que o processo para abolir a escravidão foi lento. E que toda a nossa história foi criada e manipulada pelos vencedores, os portugueses, e que isso trouxe sérios problemas sociais. Mesmo hoje existe uma grande vulnerabilidade social, envolvendo a questão do crescimento no número de pessoas negras ou pardas com AIDS.
Uma pesquisa, de 2004, feita pelo Ministério da saúde, define que "não há nenhuma relação entre a etnia e a doença". Mesmo hoje, por condições não favoráveis, boa parte do povo negro ainda tem dificuldades de acesso à saúde. Já se vislumbra algumas melhorias na tentativa de uma construção de uma sociedade mais justa, até o ano passado, o próprio Gilberto Gil era ministro da cultura no Brasil, hoje existe cotas para negros e índios nas universidades públicas, o racismo está sendo mais combatido por meio de vários grupos de resistência cultural formado por negros, que fazem um bom trabalho social no intuito de fortalecer a auto-estima do povo afro-descendente.  
 

Divaldo Caldas Machado
Graduado em história
Estudante de jornalismo

 

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